Por DANIELA TEIXEIRA
SÃO PAULO - Não é apenas a repercussão entre os telespectadores que determina que um programa televisivo é sucesso. Ele precisa também de dados que comprovem, de fato, sua abrangência entre a população. Para isso, são utilizados medidores de audiência que representam, em cada ponto onde são instalados, o que os televisores de cerca de 58 mil residências estão assistindo. Isso mesmo! Cada dispositivo é colocado naquele determinado local para registrar, por amostragem, o que o restante da população está vendo naquele mesmo momento.
Os aparelhos são instalados pelo Ibope, Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística – entidade que mede a audiência da TV no Brasil –, que também é o responsável por contabilizar os números obtidos por cada emissora.
Para fazer esse monitoramento, o equipamento usado é o chamado Peoplemeter. O cálculo do número de telespectadores por meio dele é bastante simples. Para exemplificar, elegemos a novela “Avenida Brasil” como modelo. A trama de horário nobre da rede Globo atingiu na última semana do mês de julho média de 46 pontos de audiência. Basta, então, pegar esse número e multiplicar pelas 58 mil casas representadas pelo dispositivo. Dessa forma, pode-se chegar à conclusão de que 2,67 milhões de pessoas assistiram ao folhetim no período citado.
De acordo com o Ibope, existem mais de 4 mil aparelhos como esse espalhados pelo território nacional. Desses, cerca de 750 estão na Grande São Paulo. Porém, a localização de cada um deles não é informada.
Em entrevista ao Famosidades, Marcelo Coutinho, diretor de análise e mercado da entidade, justificou o fato. “O sigilo é importantíssimo para que não haja manipulação dos resultados”, garantiu.
Ele também explicou como a escolha do posicionamento desses dispositivos é feita. “São realizados vários estudos para encontrar o lugar ideal. O Ibope é muito criterioso em relação a isso. Nos baseamos em pesquisas, dados e uma série de outras informações.”
Divulgação
O medidor também tem um tempo determinado para permanecer em cada local. “Geralmente eles ficam no máximo quatro anos e depois são encaminhados para outro lugar”, afirmou Coutinho.
O peoplemeter também é criterioso para enviar as informações sobre a audiência de um determinado lar ao Ibope. Sempre que o aparelho televisivo é ligado, o telespectador da residência onde o acessório está instalado tem de responder a algumas perguntas, tais como quantas pessoas da família estão assistindo à TV naquele instante e qual a idade e sexo de cada uma delas.
A contabilização dos números, contudo, é feita em tempo real apenas na Grande São Paulo, onde os aparelhos enviam os dados através de sinal de rádio. Nas outras localidades, as informações são enviadas ao Ibope uma única vez ao dia. Sobre isso, o diretor da entidade adiantou. “Estamos trabalhando para conseguir, em breve, medir a audiência em tempo real em outros lugares também.”
A medição da audiência, no entanto, não é apenas para mostrar qual programação é a preferida pelo público. Esses números também são importantes para a venda de cotas de publicidade, que se tornam mais caras de acordo com o número de telespectadores registrados por uma determinada atração. “Isso é uma conseqüência, mas o Ibope não se preocupa com isso. Nos compete apenas registrar os dados”, assegurou Juliana Sawaia, gerente de marketing do instituto.
Aliás, os dados também têm outro papel fundamental. A longo prazo, eles determinam o que permanece e o que sai do ar, afinal de contas, programas com baixo índice de audiência têm menos anunciantes e, conseqüentemente, dão menos retorno às emissoras. O que, na maioria das vezes, torna insustentável sua continuidade na grade de programação de um canal.
fonte: http://entretenimento.br.msn.com/famosos/mat%C3%A9ria-da-semana-como-funciona-o-ibope



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